sábado, 13 de fevereiro de 2016

sussurro no ouvido



Deixe-me ser uma gota da sua liberdade
 uma ferramenta de seu suspiro
 inquirir-te se a tomo ou se piro
 num ritmo saturado de maldade

 deixe-me ter teu corpo em minhas mãos até bem tarde
e libertar tua'lma nua em pelo
 então a pele pela pelo apelo
do toque, do cheiro que o sangue arde

Deixe-me pouco a pouco matar teu ego
 mergulhar-te na paixão que (docemente) carrego
 até que não mais lembre quem tu é
 presa num carinho, um cafuné

 mas me lembre como um devaneio de Morpheus
 sem saber direito o que aconteceu
 deixo um amor que não amadureceu
 e o sabor efêmero de um adeus

Poema do coreto



 numa praça qualquer, onde nenhuma banda toca mais
 senhores calmos conversam em silenciosas guerras de damas
 um casal, apaixonado, se abraça sentados na grama
e uma rodinha de jovens discute (apaixonadamente) seus ideais

 e o coreto, embora pareça abandonado, entregue às ervas daninhas
tenha sido cenário de diversos amores de chuva e brigas pacificas
 permanece como um eterno monumento as amizades velhas e a musicas
e a aquela preguiça gostosa que toma todos que entram na pracinha

eis então que surge um violão que começa a tocar cazuza
 e tantos começam a cantar (alguns, mentalmente) com vozes confusas
jovens, velhos, apaixonados, como se cantassem um hino conhecido
um hino dizendo que o coreto pode estar vazio, mas não esquecido

do desespero (alheio)



Criança minha! Que som triste
os ecos do teu coração
Quanta magoa pulsante
daquela tristeza pura
e de olhar distante
mirando algo invisível
para mim,
 para todos
incapazes de imaginar
tua sombria emoção

queria eu
abraçar-te por inteiro
e espremer cada lagrima
amarga
cheia de ternura e desespero

busco em minha mente
qualquer coisa
que me sirva tão somente
para espantar essa dor
que te assola
Mas minhas palavras - antes espada e escudo de aço -
agora
me falham feito bexigas de palhaço
em uma festa infantil e sem graça.

Queria eu
jogar-te no chuveiro
esfregar de tua alma
toda a lama
e então
secar-te com todo zelo.

Enfim calo
pouco a pouco
morro e mato
resignado a sentir
minha impotente frustração
Paro
e observo
enquanto aflora e vaza tua dor
ofereço
 meu silencio,
meu respeito
e meu amor
ou uma canção de ninar desafinada
na esperança tola
que tu possas finalmente dormir aliviada,
e acordar num mundo melhor

Soneto da garota ensolarada




De onde tu tira tal energia?
sempre parecendo tão animada
da voz (feliz) vem tão limpa risada
que com a mera presença arrepia

É porque tem o sol como sorriso
não havendo um só homem que não trema
nem existindo um sábio que não a tema
pois, ao vela, rever-te é preciso

Toma-nos como uma enfermidade
que apenas tua luz remedia
inundando-nos de felicidade

Luz essa que nos enche de ousadia
vou ao lugar mais alto da cidade
para ver teu sol me trazer mais um dia