sábado, 13 de fevereiro de 2016

Para: isis


                Quando digo de sorriso de canto de boca
Mesmo quando não acontece tudo como o esperado
Dando risada, mais internamente, de quase qualquer situação
É de você que falo

                Quando digo de empolgação quase pueril
Quase pueril, do ímpeto quase felino
Da leoa que dá um passo a frente e mostra a que veio
                                               (e ai de quem desafiar)
            É de você que falo

      Quando digo do rosto concentrado
Mente distante, vivendo mil vidas
De  livros, filmes, danças ou mesmo de uma paisagem
           É de você que falo

Talvez não seja nada verdade
Porque não me interessam obviedades
Falo do que é só seu, do que não conheço
Mas quando digo para mim mesmo
É de você que eu falo

Centro (da cidade)



Vivo, ávido, rápido
Corrido, colorido, pulsante
Regado a conversas aqui
                               e acolá
                entrecortadas
mil motores ligados
como musica
impulsionando os carros ou a cidade?
Rápido!
Olha
Uma bozina
Quase uma batida! Que horror!
Velhinhas reclamando!
Um falso manco passando !
Um muambeiro barganhando
E aquele manco mendigando
E o sinal abriu! Vamos rápido!
Se não outro porrilhão de coisas
(respira caminhando)
Vai acontecer
Por que hoje o sol está amarelo
São os piores dias.

Penas ideais



Penas, plumas obtusas
Mesmo que lentamente
Sempre caem no mesmo mar

Urge, clama ajudar
No voo de sua gaivota
                Ideal gaivota!
                Sonífera gaivota
                Arcaica gaivota
                Idílica gaivota
Sempre sobre o mesmo mar

Talvez hajam tiranas barreiras
(Ou tirana seja a gravidade
 Estou confuso, mas sei que sofro!)
Cercando todo esse mar

Pobres penas decadentes
Presas em sua livre gaivota
Enquanto novas, animadas se esforçam
Quando velhas, cansadas se agarram
E quando exauridas,  se soltam simplesmente

Nostálgicas, sonham em voar novamente
E planam.. querendo encontrar sua ilha ideal

Doce pluma, o sal te aguarda.

Canção da caminhada pela floresta..




estamos numa floresta
 verdes folhas sempre morrem
 o tronco, triste, protesta
 e as pessoas se despedem

as folhas estao fadadas ao chao
pessoas fadadas a seu futuro
fadadas a marcar teu  coração
 e irem por um  caminho inseguro

 não devemos entao chorar a partida
 como o tronco,que resignado, suporta
porque, na primavera toda folha volta
 como um feliz prenuncio da minha vinda

 e agora façamos festa
 irei embora, mais alem
 estamos numa floresta
 essas coisas acontecem"

-Sobre ir embora- Despedidas não tem que ser tão tristes-

Trova da incerteza

Uma trova, feita a pedido a bastante tempo.
uma forma tao fixa, tao travada - mas dentro dela as possibilidades sao incontaveis- tal qual nossa vida



O vento gritou a verdade
Pergunto-me por que nego
Talvez, o erro que espero
Talvez,  simples vaidade

Prefiro tornar-me cego
Ao encarar tal verdade
 Seguir a passo incerto
Vibrante linha que arde

Na certeza (falsa), reintegro
Mas só, sou sobriedade
Vários medos enumero
Como, o da felicidade